sábado, 16 de janeiro de 2010

O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO!!!

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente ;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

(este poema diz tudo... O QUE HÁ EM MIM É SOBRETUDO CANSAÇO! Preciso de descançar de tudo... de Lisboa, dos trabalhos, das frequências, das pessoas de Lisboa, das correrias do metro... Enfim, preciso de tempo para mim, para a minha família... preciso da minha casa e do carinho e aconchego que lá recebo. Podem não perceber o que sinto, podem até criticar, mas até para responder a críticas eu estou cansada...)

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